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terça-feira, 17 de março de 2015

Texto de Nina Lavezzo de Carvalho

Sempre me pareceu normal contabilizar sexo. Talvez por influência dos filmes ou da realidade social, a ideia de ser "mais maneiro" porque "traçou uma mina" me parecia ser vencida por mim quando eu mesma compartilhava o número de vezes que eu, mulher, havia "traçado" um cara. Orgulho pessoal por achar sexo algo natural e bom ou influência da cultura hegemônica ou ambos, seja como for, fato é que o número de camisinhas gastas me parecia um modo sensato de contar quantas vezes as pessoas faziam sexo. Até o momento peculiar, breve, mas importantíssimo, em que minha amiga perguntou "por que vocês contam as vezes que vocês transam pelo número de vezes que o cara goza? Não é como se ejacular fosse mais importante que termos um orgasmo, então por que vocês fazem isso?". Por quê? E por que eu não era a única a fazer isso? Por que a grande maioria das pessoas que contabilizam esse tipo de coisa o fazem em função da ejaculação? E mais importante ainda: por que eu nunca tinha sequer pensado sobre aquilo até aquele exato momento? Depois daquela pergunta, minha percepção sobre sexo e sexualidade nunca mais foi a mesma e é exatamente por isso que decidi começar esse texto por ela, questionando vocês, caso nunca tenham pensado nisso antes. Depois daquela pergunta que mudou minha vida, a minha percepção sobre sexo e sexualidade nunca foi a mesma. E é aqui, questionando vocês, caso nunca tenham pensado nisso antes, que começo a nossa pequena discussão sobre o orgasmo feminino, sua construção social e os tabus que o envolvem.



segunda-feira, 16 de março de 2015
Texto de Helena Siqueira


Com o feminismo começando a adquirir um espaço na minha vida, eu confesso que tenho amado os diálogos e experiências cotidianas sob a ótica dos meus aprendizados recentes no que diz respeito a esse movimento, que antes nada mais seriam do que simples conversas, simples experiências e também as simples agressões machistas e diárias que antes eu não teria senso crítico para notar. 
Mas com esses novos aprendizados surgem também grandes dúvidas acerca de como lidar com as problemáticas do que é ser mulher, e a partir desse breve relato tentarei explicar qual a razão por trás do tema de hoje.

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