sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Texto de Helena Siqueira.
Fonte: Google Imagens

Quando atingi uma fase da vida em que precisei acrescentar grandes responsabilidades ao meu dia-a-dia (principalmente no que se refere ao âmbito profissional), perdi parte daquele tempo em que após sair da escola eu chegava em casa e assistia televisão praticamente a tarde/noite toda. Depois disso, meu interesse por essa forma de alienação  entretenimento, acabou desaparecendo sem que eu notasse.

Maaaas, ao receber a proposta de tratar sobre a pauta de temas relativos ao feminismo como atividade avaliativa de um professor, uma das primeiras coisas que surgiu na minha cabeça foi a lembrança, de certo modo intrigante que eu tinha sobre as propagandas de cerveja... Que apareciam com mulheres lindas 'à moda brasileira', de biquíni e mulatas, durante um eterno carnaval ou em festas planejadas exclusivamente para os prazeres de "todos"os homens (cerveja, futebol, samba e mulheres... O que mais ele deveria supostamente querer para ser aceito dentro dessa estrutura social?). Haviam também, propagandas e novelas que para atingir o público feminino em maior parte, consideravam padrões estéticos bem inatingíveis: A boa mãe que tem filhos sorridentes e saltitantes, com uma beleza "incomparável", que ao sair de casa (porque mulher além de ser mãe de família é multitarefa) pode tranquilamente desfilar no próximo São Paulo Fashion Week.

Ao procurar informações na internet, confesso que tive certa esperança que esse tipo de publicidade não estivesse mais no topo das programações, e que talvez as pessoas já tivessem adquirido uma espécie de nova "maturidade" que não aceitasse esse tipo de padrão.

 Percebi  ao contrário, que a situação não só parece se agravar  , como também que tem se difundido mais facilmente dentro do público, que passa a tentar se enquadrar nesse padrão de qualquer jeito, e que posteriormente tenta "impor o mesmo padrão" inclusive entre pessoas que como eu, praticamente não sentam em frente ao sofá para preencher o tempo com a "telinha" (que parece vir "programando" vários novos papéis sociais a todo momento).

Um vídeo em particular chamou muito a minha atenção, que foi esse aqui ↓:


video


O meu objetivo ao querer que alguém assista esse vídeo, não é criar um grupo que tenha vontade de queimar todo tipo de publicidade que não tenha caráter de informação pública útil, ou aquelas que não conseguem ter o mínimo de coerência com o contexto atual de padrões de consumo e de identidade (podia até) . Mas , eu simplemente gostaria de atentar para o fato, que mesmo quando mais nova, durante anos pude observar algo no mínimo "peculiar" no papel que a mídia impõe sobre o comportamento, moral e beleza feminina, e que essa temática também tem se tornado um tema abordado por pessoas que enxergaram o que esse tipo de "programação" gera na nossa própria imagem enquanto mulher, além do que pode até transmitir para o próprio ideário masculino e para a  replicação de um padrão muito negativo frente a tanta (des)informação e objetificação/reificação das imagens, do papel da mulher, dos objetos, transformando essas duas coisas aparentemente distintas em uma só.

Achei também alguns artigos que abordam (na minha opinião) de forma bem clara e com boas referências o assunto. São eles :

1- O estereótipo feminino nas mídias audiovisuais, diponível em:



Esse artigo (feito por outra graduanda em Relações Internacionais chamada Maria Luíza Concari de Moraes), retrata as formas de abordagem que a mulher recebe no cenário audiovisual como sendo papéis sociais fundamentais , os mesmos que eu citei anteriormente e como toda essa situação pode vir a ser uma importante ferramenta de propagação de ideais machistas e/ou misóginos, além de trazer ótimos exemplos através das imagens de propagandas atuais.

2-SENSUALIDADE ETÍLICA: o estereótipo da mulher devassa na propaganda de cerveja, disponível em:



o artigo que tem como data o ano de 2013 no período de 30 de maio a 1 de junho, foi exposto em um encontro na Universidade Federal de Ouro Preto (segundo próprio artigo: 9º Encontro Nacional de História da Mídia /UFOP- Ouro Preto - Minas Gerais) que analisa especificamente o comercial brasileiro (ironicamente) veiculado por uma empresa de cerveja, e que a partir deste também discute de forma muito interessante como tais comerciais possuem poder de "persuasão" entre o público que assiste e o que este tipo de "manipulação" pode implicar para a mulher em termos de comportamento e até mesmo na forma em que as mulheres passam a enxergar as outras.
 Manipulação essa, talvez até mesmo predecessora de conflitos entre pessoas que deveriam se unir contra propagandas desse estilo.

3- Papel Estereotipado da Mulher na Mídia , feito por um Defensor público no Estado do Espírito Santo, Disponível em:



Por último (mas não menos importante) esse é um documento de aspecto formal, que visa informar sobre leis promulgadas para a então "normatização" das propagandas que contém a imagem da mulher no cenário audiovisual, e em síntese esclarece como as organizações responsáveis por essa função têm se tornado relativamente mais ativas a cada ano que segue (Esperança de dias melhores nessa publicidade? Talvez).

E para finalizar, nada melhor que a letra de uma boa música que retrata de forma irônica quase todas as minhas próprias impressões, ao ler os materiais para essa postagem que apresento a todos vocês.
E que espero, de alguma forma, que possa ajudar em futuras "boas" reflexões.

4-Nádegas a Declarar¹ (Não tive criatividade e achei o trocadilho sensacional para o título desse post)


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5- Não resisti, pra ficar mais fácil entender: 


Então é isso, até a próxima postagem :)




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